As palavras são plurais
Você escolhe apenas uma
Dizer tão e mais.
Sentir: antônimo de
pensar;
falar;
dizer.
Nelas, ah, adrenalina há.
Virando o globo
Ali, dobrando a esquina ou cá.
Minh'obra toda inversa
Verbo de estado é.
Veloz na contra mão.
Explicar-se há todo um contexto
Não se pode ignorar uma gota no final.
Antes encerro o ciclo
Depois lhe dizer, fã,
Há pontos desnecessários
Na narrativa de tercer
Como a Moça Tecelã.
Poeta gramático que esbarra na linguística
Desagua em literatura
Com toda a sua educação.
Do núcleo das Letras
Poeta acadêmico começa a misturar
Características da regra, licença e adequação.
Todos os fluxos de Clarice
Deste eu abstrato e metafórico
Dos segredos de liquidificador.
Barros, tinhas razão
A porcentagem é desda sua inspiração.
O do bigode que mostrou
Como se brinca de palavras
Já o de idade me ensinou a trocar a preposição
Para viver junto a elas
Basta pôr um com hão.
Literatura convenceu
Com licença a sua poética
Regras e cultura misturar-te
Assim lambuza-se adoçarte.
Augusto Cruz
sexta-feira, 18 de abril de 2014
quarta-feira, 3 de julho de 2013
Dica de Leitura
Amo Literatura,
amo ler. Tive o imenso prazer de ler uma obra que me fez chorar a cada página: “Capitães da Areia”, de Jorge Amado. Esse romance foi único. Cada página me
emocionou. Revoltou-me. Indignou-me. A despedida de cada menino do trapiche me
fez chorar. Pedro Bala, tão menino, tão homem, tão homem, tão menino.
Nunca mais
olharei um menino de rua da mesma forma. A sociedade tem sido má, corrupta e
cruel, e tem gerado esses garotos. Os moleques do trapiche da Bahia da década
de 30, dos viadutos de São Paulo de 2000, das praças da minha cidade de 2007,
das ruas de Brusque de 2013. Os meninos esquecidos no relento de suas condições sociais.
Gosto disso que a Literatura faz com a gente. Do
jeito que ela mexe, do jeito que ela me faz querer mudar as coisas... Do jeito
que ela me faz “ver” cada movimento de mudança. Cada luta. Cada revolução. Do
jeito que ela dá sentido ao mundo.
É como a
escritora Marisa Lajolo disse em seu livro “Do Mundo Da Leitura Para a Leitura
Do Mundo” e que eu vou parafrasear aqui: lemos para entender o mundo e que
entendemos o mundo através da leitura, num círculo, numa prática infinita...
sábado, 29 de junho de 2013
CRÔNICA: O que acontece quando você falta à aula na faculdade?
A resposta dessa pergunta pode parecer não ter muita importância. Desde
que não tenha sido feito um trabalho ou uma prova... Mas comigo é diferente.
Coisas boas acontecem quando eu falto à aula. Coisas muito boas acontecem
quando eu falto à aula. Eu não diria coisas surpreendentes porque eu havia sido
avisada. Mas poderia dar errado. Poderiam desistir. Poderia não acontecer. Poderiam
lembrar-se de mim. NADA.
Naquela noite em que eu não iria à aula, justo naquela noite, a aula
acabou em pizza. Literalmente. Eu não posso negar que, lá no fundo eu já sabia.
“São todos uns gulosos mesmo” já dizia aquele bichinho do mal que fica
buzinando no subconsciente da gente. Mas, do outro lado, tinha aquele tal
anjinho bonzinho que dizia “calma, vão lembrar-se de você, pode ser que deixem
para uma próxima”. Que nada! Anjinho bobo! Ingênuo!
Por um momento até imaginei que a professora pudesse compadecer-se com a
minha situação e pensasse algo do tipo “Coitada! Eu sei que ela queria estar
aqui conosco. Pobrezinha está lá comendo camarão pistola! Vamos deixar para a
próxima aula.” E de novo NADA!
“Coração de Pedra”. Esse é o segundo nome da professora de Língua
Portuguesa, aquela que sem dó nem piedade, mergulhou de cabeça num mar de
catupiry, juntamente com todos aqueles acadêmicos de letras desalmados. Deixem,
a gula é um pecado. O egoísmo também.
Como se isso fosse pouco, na semana seguinte recebo a notícia: Teríamos,
eu e todos aqueles devoradores vorazes, que produzir uma crônica.
Dá vontade de falar aquelas frases que as professoras de Língua
Portuguesa odeiam, sabe? “Já vou avisando que eu não sei escrever!”, “Ó! Vou
fazer com as minhas palavras!”. Mas, como ela havia deixado em aberto a
possibilidade de fazermos em dupla, ficava menos difícil.
Falando em crueldade, não posso de forma alguma deixar de comentar que a
minha parceira de trabalhos acadêmicos, como ótima aluna que é, aprendeu
direitinho a lição da última aula e também pouco se importou comigo. Produziu
sua crônica sozinha. Quando pensei em comentar alguma coisa a respeito da
produção, ela me largou “Já fiz a minha!”. Tudo bem, pelo que fiquei sabendo pela própria
insensível, o tema de sua produção é uma briga de namorados. Prefiro mesmo
ficar de fora.
Vou agora ver se ponho a mente para funcionar,
caso contrário, minha M2 acabará em pizza, não é Dona Elizete?!Angela Gandin
Poema sobre a profissão professor
Se É jovem, não tem experiência.
Se É velho, está superado.
Se Não tem automóvel, é um pobre coitado.
Se Tem automóvel, chora de "barriga cheia'.
Se Fala em voz alta, vive gritando.
Se Fala em tom normal, ninguém escuta.
Se Não falta ao colégio, é um 'caxias'.
Se Precisa faltar, é um 'turista'.
Se Conversa com os outros professores, está 'malhando' os alunos.
Se Não conversa, é um desligado.
Se Dá muita matéria, não tem dó do aluno.
Se Dá pouca matéria, não prepara os alunos.
Se Brinca com a turma, é metido a engraçado.
Se Não brinca com a turma, é um chato.
Se Chama a atenção, é um grosso.
Se Não chama a atenção, não sabe se impor.
Se A prova é longa, não dá tempo.
Se A prova é curta, tira as chances do aluno.
Se Escreve muito, não explica.
Se Explica muito, o caderno não tem nada.
Se Fala corretamente, ninguém entende.
Se Fala a 'língua' do aluno, não tem vocabulário.
Se Exige, é rude.
Se Elogia, é debochado.
Se O aluno é reprovado, é perseguição.
Se O aluno é aprovado, deu 'mole'.
Jô Soares
Mimimi
– Vou cortar o cabelo amanhã. É bom que você
repare.
– Não reparo nem quando tu colocas sapato
novo.
– Sapato tá lá no pé, mas o cabelo tá na
minha cara.
– Tu sabes que para mim tu sempre estás
bonita.
– Não venha tentar me bajular agora.
– Não estou tentando te bajular, estou
dizendo o que acho de ti.
– Sei.– É sério!
– Sei.
– Ah, nem digo mais nada também.
– Não!
– O quê?
– Continue dizendo.
– Por quê?
– Porque eu gosto.
– Ah... Agora tu gostas, é?
– Sempre gostei...
– Sei.
– É sério. Desculpa. Mas quero que tu repares
em mim.
– Eu reparo... Mas não percebo.
– Nunca percebe nada...
– Quê?
– Nada não.
– Qual o problema agora?
– Nada.
– Fala logo, mulher.
– Já disse que não é nada.
– Então por que fica resmungando aí o tempo
todo?
– Não estou resmungando.
– Estava sim.
– Não estava não. Só pedi para reparar em
mim.
– E eu já disse que sou péssimo com essas
coisas.
– Então aprenda!
– Só depois que tu aprenderes a parar de
reclamar!
– Reclamo porque você mal me dá atenção.
– Dou atenção sim! Mas desanima quando tu
estás reclamando o tempo todo. Até parece que nada nunca tá bom...
– Não é verdade.
– É sim.
– Então tá. Nada nunca está bom para mim
mesmo. Como se já não bastasse eu ter que fazer comida todo dia, limpar a casa,
recolher todas as xícaras que você deixa espalhadas por tudo com resto de café
e ainda aguentar aquela sua mãe louca o tempo todo se metendo na nossa vida,
agora você nem para querer me dar atenção, sair para jantar comigo e ir ao
cinema.
– Desde quando isso se transformou em nós
irmos ou não ao cinema?
– Desde sempre!
– Não aguento mais isso. Vou trabalhar.
– Isso, vai trabalhar! Vai se enfiar naquele
quartinho fedorento com as suas coisas e me deixa com as minhas.
– Já estou indo.
Quinze minutos depois...
– Oi...
– Que foi?
– Posso entrar?
– Sim.
– Desculpa?
– OK.
– Só “ok”?
– O que tu queres mais?
– Não sei.
– Muito menos eu.
– OK, desculpa de novo. Às vezes acabo me
descontrolando, você sabe disso...
– Sim.
– Aí descarrego tudo em você. Sei que está
cheio de trabalho para fazer, você nunca para, e ainda faz malabarismos para
arranjar um tempinho para mim todo dia.
– Sim.
– Vai ficar monossilábico agora?
– Não.
– ...
– Idiota. É só tu parares com essas besteiras
todas aí, tu sabes que é a única para mim.
– Sim, mas...
– Mas nada. Tu és a pessoa mais irritante, reclamando
o tempo todo de alguma coisa, e ainda assim estou aqui contigo.
– Sou menos irritante do que sua mãe.
– Isso é verdade.
– Menos mal.
– Agora para de ficar reclamando que não
pretendo sair daqui tão cedo.
– Mas pretende?
– Não... Não vai começar com tudo de novo,
né?
– Não, não.
Só queria um pouquinho de atenção...
– Mas tu sabes que te dou atenção, quando
posso.
– Sim, eu sei.
– Então deu com esse drama todo.
– Já parei.
– Que bom.
– Mas vai reparar quando eu cortar o cabelo?
segunda-feira, 24 de junho de 2013
O doce luar da primavera
Mais um sábado e Cristina procurando um vestido inédito para a noite. Enrolada na toalha, deu um passo alto para subir a cama e alcançar a prateleira mais alta do meu guarda-roupas. Trilhou o lençol com seus pés encharcados pós-banho e respingou gotas no espelho ao secar o cabelo. Ouviu alguém bater a porta da sua suíte, apressando-a. Gritou num tom de verdade que estava quase pronta e pulou dentro de alguma calcinha especialmente selecionada para noites em que alguém possa vê-la. Demorou em apertar a alça do sutiã (sempre tem problemas em colocá-las devidamente), demorou em achar um sapato e demorou mais ainda para conseguir deixar seu cabelo razoavelmente aceitável, assim como a maquiagem.
Batem novamente à porta e ela diz que está indo. Mas na sua mente berra uma voz desesperada que diz: "Estou muito atrasada! Aonde coloquei as chaves? Cadê meu cartão? Deixei o cigarro no sofá? Eles vão me matar!".
Chega então à sala, de encontro aos que impacientemente a esperam, disfarçando com o telefone, como se estivesse em uma ligação muito importante (geralmente usa a desculpa de um esquema para a balada, entradas VIP, caronas, bebidas e etc. Eles sempre acreditam, é conveniente acharem que Cristina atrasou-se pensando neles).
Apagam-se as luzes, tranca-se a porta, chama-se o elevador. No caminho até o hall, todos esticam suas vestes em frente ao espelho, dão uma passada de mão nos cabelos, reparam a maquiagem e observam se ficou algum detalhe por deixar. No fim, todos se sentem satisfeitos com o que apresentam.
No caminho, ingerem-se teores elevados de álcool, acompanhados de nicotina mentolada e das queixas femininas adaptando-se ao salto que as sustentará durante toda a festa.
Quando chegam, não precisam enfrentar fila. Cristina já deu uns pegas no promoter e, por isso, tem suas vantagens. Os seguranças sempre aproveitam para apalpar os traseiros, é algo a se questionar. A música lá dentro vibra e Cristina sente até certa ansiedade oculta, como se fosse a primeira vez. A pouca iluminação, a multidão dançando freneticamente, os rapazes trocando beijos desesperados pela pista e a fila do bar são clássicos noturnos. Ela, claro, antes de enfrentar a multidão, que se proclama afrente do DJ, vai em direção ao bar servir-se de um drink leve para começar a segunda etapa da noite.
Procura brechas na fila e vai discretamente se infiltrando até alcançar o balcão. Pendura-se para cumprimentar um dos barmans conhecidos e quem sabe obter um desconto. É então que enquanto aguarda sua bebida chegar, avista lá na ponta uma imponente presença, vestida com camisa gola polo tamanho M, jeans escuro (que devem ter custado caro) e sapatos claros. Um cabelo castanho organizadamente bagunçado e um sorriso largo, limpo, alinhado e perfeitamente desenhado. Aquele sorriso o denunciava.
Cristina fingiu que não viu nada, serviu-se e saiu dali meio transtornada. Deu um grande gole em sua birita e achou que precisava lavar o rosto para se recompor e poder se autoafirmar de que não estava abalada. Então o fez. Caminhou em direção ao banheiro, desviando-se dos corpos suados que estavam por toda parte. Executou o ritual planejado no lavabo compartilhado por ambos os sexos e então, enquanto puxava o papel-toalha para secar suas mãos ainda cheirando o creme de erva doce que ganhou da sua tia no último natal, foi então que sentiu o perfume que fazia seu coração vibrar. Nada mais naquele lugar conseguia fazer seu corpo entrar num estado tão intenso e incontrolável quanto aquele nostálgico odor. Olhou através do espelho e confirmou que aquele sorriso tão cheiroso estava ali. Ficou em dúvida de qual decisão tomar: deveria tornar sua presença nula ou encher-se de ego e ser notada? Optou pela segunda, por conveniência. Foi então que ele a disparou olhares confusos que omitiam sua mistura de surpresa, espanto e felicidade ao vê-la. Cumprimentaram-se apenas com o canto da boca e menções positivas com a cabeça, logo depois seus olhares se encaminharam ao chão e ele tomou destino ao primeiro reservado disponível. Cristina continuou ali intacta, em frente a pia, pensando em alguma maneira de chamar a atenção dele de forma mais objetiva. Agachou-se fingindo ajeitar o salto e deixou que sua carteira de motorista, que estava em sua bolsa, caísse ao chão.
Enquanto ele veio ensaboar as mãos, Cristina ainda arrumava seu sapato e foi então que pôs-se em direção à porta. Contou mentalmente até três, como num instinto involuntário, e o ouviu pronunciar seu nome. Seu plano havia dado certo. Arrepiou-se por todo o corpo e seu estômago ficou tão gelado quanto o drink que a servira. Virou bruscamente, com um jogar de cabelos hollywoodiano e um levantar de sobrancelhas, falsamente, desconfiado. Ele acenou portando o documento em suas mãos tão macias. Mãos que já haviam a tocado por vezes. Mãos cheirosas e brancas que a fazem delirar só de pensar.
Soltou um ar de surpresa, andou até a direção dele, portou a habilitação, guardou-a na bolsa e então o agradeceu. Elegantemente, para sua surpresa, ele soltou uma piadinha referente à época que Cristina aprendeu a dirigir, alegando o quanto é perigoso que ela seja realmente habilitada a conduzir alguma espécie de veículo. Nesse momento ela foi ao céu e voltou, mas seu corpo só soube gargalhar. Trocaram conversas bobas por alguns minutos, ali, parados em frente ao lavabo, até ela o convidar para acompanha-la à área de fumantes. Lá puderam se sentar, apoiar-se em uma mesa alta, acender um cigarro e o ouvir reclamar do mal estar que o odor do cigarro mentolado dela o causava: sempre reclamando, era encantador.
Para falar a verdade, Cristina não viu seus amigos naquela noite. Não lembrava-se de mais ninguém além deles dois. Conversaram sobre tantos assuntos, sobre tanta besteira, tanta coisa séria, tantos detalhes que não a permitiam prestar atenção no mundo ao seu redor. Naquelas horas ela nem ao menos lembrava-se que existia outra coisa no mundo a não ser ele.
A noite ainda estava na metade quando ele disse que precisava ir embora. Tinha uma reunião familiar pela manhã e queria ter algumas horinhas de sono – aquelas tradições de sua família sempre a deixaram fascinada e pelo visto, elas ainda continuavam depois de tanto tempo. Ela disse que iria procurar seus amigos para também ir embora – já estava com preguiça só de pensar em continuar naquele lugar sem a presença dele. Sempre querido, ele a ofereceu uma carona. Falou que não via problema em deixa-la em casa e alertou de que era pouco provável que ela viesse a encontrar seus amigos em meio a tanta gente alcoolizada. Cristina, simulando hesitar, concordou.
Correram em direção ao carro para evitar a chuva que caía e recordaram, com risadas, das vezes que ficavam horas no ponto de ônibus sonhando com o dia que poderiam dirigir. E ali estavam eles, dentro de um carro, juntos, só os dois. Ela deu as instruções da localização do seu prédio e ele seguiu, sem dificuldades.
Ficaram alguns minutos conversando em frente ao edifício, enquanto a chuva caía torrencialmente do lado de fora. Na hora do adeus, um abraço bem apertado e da parte dele, veio um sutil "obrigado". Cristina não entendeu ao certo o que aquela palavra queria dizer. Obrigado pela companhia? Obrigado pela presença? Obrigado por ter esquecido as mágoas do passado? Obrigado por ter perdoado as inúmeras ofensas impensadas de suas brigas? Resolveu não questiona-lo. Só continuou abraçando-o, hipnotizada por aquele aroma cítrico que vinha tão intenso de seu pescoço. Foi então que ela partiu, correndo para evitar se molhar. Ele, educadíssimo, ficou esperando para vê-la adentrar o hall e então seguir. Mas no caminho, ainda na calçada do seu prédio, a jovem escorregou em alguma poça de água e caiu com um dos joelhos no chão. Ele saiu do carro, apressado, e veio ver se estava tudo bem. Ajudou a levanta-la e ela foi apoiando-se no ombro dele, enquanto mancava, até a marquise do prédio. Deu uma olhada em sua perna esquerda e havia um pequeno corte, que sangrava, em seu joelho. Os dois sentaram na escada do edifício e puseram-se a rir: encharcados. Esse tipo de coisa só acontecia com eles, definitivamente.
Ela o convidou para subirem até seu apartamento, pegar uma toalha, secar um pouco as suas roupas. Devia pelo menos isso a ele.
Enquanto ela estava no banheiro procurando uma toalha bonita para oferecer à visita, ele observava os retratos na sala e percebeu que estava em um deles. Lembraram-se do momento em que tiraram aquela foto, foi em uma viagem entre amigos. Entregou a ele a toalha, que tirou sua camisa e pôs-se a enxugar-se. Cristina ficou sentada no sofá, admirando-o. Era muito fora da realidade que ele estivera ali na sala do seu apartamento, secando-se na sua toalha (que ela nem havia terminado de pagar) e os dois convivendo sem nenhum ressentimento do passado. Ela fez um rápido curativo no joelho que já não sangrava mais.
Alguns minutos e ele disse que precisava ir. Ela o encaminhou até a porta e no corredor do apartamento, ao despedirem-se, se abraçaram novamente. Um abraço forte, firme, afetivo. Podiam sentir seus corações palpitando. Indescritível foi o momento em que seus queixos deixaram de tocar o ombro um do outro, mas seus corpos continuavam abraçados. Olharam fixamente dentro dos olhos e depois disso, Cristina perdeu a visão. Lembra-se apenas que foi o beijo mais apaixonado, irreal, surreal, intenso, vivo, desejado e esperado de toda a sua vida. Um beijo longo, suave, forte, recheado de carinho e emoção. Enquanto o beijava, suas mãos percorriam as másculas costas nuas, tocavam os cabelos molhados dele, suas nádegas redondamente perfeitas. As mãos dele também percorriam o corpo dela. Os dois corações aceleravam o ritmo e foi sem dúvida uma das cenas mais marcantes que já tiveram.
Deitaram-se, trocando carícias. Ela sentiu a mais intensa vertigem do paraíso aquela noite.
Dormiu sentindo-o nu em seus braços, da forma que tanto sentia falta. Durante a noite, acordava por alguns segundos e perguntava-se se aquilo era mesmo verdade. Logo fechava os olhos, pois caso fosse um sonho, não podia perder a chance de que durasse, pelo menos, para sempre.
Cristina percebeu alguns raios tentando invadir a persiana. Eles clareavam todo o quarto. Ao abrir os olhos viu-se sozinha em sua cama. Olhou ao redor e só havia seus sapatos e suas roupas molhadas espalhadas ao chão. Abriu a porta do quarto e não havia ninguém ali fora. Despedaçou-se.
Foi então ao banheiro, tentou aquele ritual de recomposição novamente. Abriu a torneira e pôs-se a enxaguar seu rosto cansado. Secou-o com a toalha e ao olhar para o espelho, havia uma mensagem escrita, com lápis de olho: "Meu coração estava como sua habilitação: jogado no chão. O juntei e estou levando comigo. Depois do almoço te ligo e veremos como faço para devolvê-lo a você. Obrigado, por absolutamente tudo".
Augusto Cruz
terça-feira, 18 de junho de 2013
Celular
Como
pode um aparelho nos fazer sentir tantas coisas?
A
pouco tempo, me fazia sentir ódio, raiva, e uma tristeza, que parecia nunca ter
fim. Cada vez que ligava para ele, e não me atendia, me vinha à impaciência.
Cada vez que ligava para ele, e o celular estava desligado, me vinha o pânico. Às
vezes, ao segurar o celular, eu tremia. Tremia, e temia. Afinal o que eu sabia,
é que nunca saberia onde ele estava. Aparelho inútil.
Decidi
então dar um fim nisso. E dei.
Agora,
o celular não me faz falta. Serve apenas como despertador.
Mas,
foi em uma festa, que ele voltou a me trazer emoções. Eu o conheci. Passei quatro
horas andando para lá e para cá, no ritmo das músicas do momento, toda e
qualquer esperança de encontrar alguém decente, já haviam ido por água abaixo. No
entanto eu o vi! Sim, se existe amor a primeira vista, deve ser isso, porque
naquele momento, me senti paralisada, porém o meu coração parecia que iria
explodir, de tanto bater. Ele era lindo, sua pele era tão branca, e tinha olhos
tão escuros. Passei com ele pouco tempo, e a vergonha, não me deixou falar
muito. Estava presa a admirar seu rosto. Acabou.
Fui
para casa, mas, consegui gravar em minha mente, cada detalhe seu. No dia
seguinte, era a única coisa que podia me lembrar. Procurei por ele, na
internet. Encontrei, falamos pouco. Para minha surpresa, as 23h00 da noite de
terça-feira, meu celular toca. Uma mensagem. E novamente, aquele aparelho me
faz tremer. Sim, era ele. Agora além de tremer, estava nervosa, procurando
loucamente pela minha cabeça, algo para lhe responder. Respondi, mas não
larguei o celular, esperei impaciente ele tocar novamente. É incrível como
nessas horas cinco minutos levam uma eternidade. Enfim, ele toca outra vez,
deitada
em minha cama, consigo sentir meu coração disparado. Não que o conteúdo da
mensagem fosse assim algo importantíssimo, mas, era algo esperado. Depois de
responder aquela mensagem, e esperar com uma ansiedade fora do normal a
resposta, o que me veio foi novamente, uma tristeza. Boa noite. Sim, era o fim
daquela conversa. Daquele dia em diante, tudo o que eu fazia, era olhar para o
celular. Às vezes me trazia esperança. Às vezes me trazia impaciência, e às
vezes ansiedade. Mas tudo, com uma pitada de alegria. Conversar com ele fazia
meu tempo passar depressa. E ele me fazia tão bem. E quanto mais a conversa
fluía, mais ansiosa ficava eu, pela próxima mensagem. Vez por outra ficava
irritadíssima, pois quando ouvia o toque de mensagem, parava exatamente tudo o
que estava fazendo para lê-la. TIM Dicas. Ah, que inconveniente sabe ser essa TIM.
E
foi através do celular, que combinei de vê-lo outras vezes. As mensagens
diárias se transformaram em ligações diárias.
Hoje,
não posso ficar sem eles. Não fico sem
meu celular, porque é ele quem me aproxima da felicidade. Porque pelo celular,
posso ouvir sua voz , e posso dizer-lhe o quanto o amo.
Não
posso ficar sem ele. Sem a pessoa que me faz feliz, que me faz rir, que me faz
bem.
O
celular continua a me trazer sentimentos. Hoje me traz alegria, e
principalmente pressa. Pressa, em ouvir sua voz grossa me perguntando: Conversa
um pouco comigo?
A. Caroline de S. Rossi
sábado, 15 de junho de 2013
Um pouco de "nós"...
Não somos escritores, somos estudantes.
Não temos perfeição para escrever, mas temos vontade de escrever.
Não tenha vergonha do que escreve, porque quando se tem pensamentos demais armazenados no cérebro
uma hora ou outra você terá que passá-los para o papel.
A escrita é a forma mais bonita de transmitir o que sente, pois esta, fica gravada.
Por mais que se leia uma única vez, alguma parte ficará no subconsciente de alguém e até mesmo no seu.
Hoje somos iniciante, amanhã não seremos mais.
Hoje escrevo em alguns momentos de uma forma infantil, amanhã já serei madura o suficiente.
Mas para tudo na vida temos que ter um início.
E quem disse que desejo ser escritora?
Não anseio, quero apenas que todos possam conhecer de fato quem sou eu.
E tudo que se escreve tem verdade;
De tudo que se escreve tem a identidade de cada um de nós.
E eu tenho a minha.
Você, a sua.
Beijos aos meus colegas escritores ou não, mas certamente, todos cheio de sonhos.
Liz Di Bernardi
Não temos perfeição para escrever, mas temos vontade de escrever.
Não tenha vergonha do que escreve, porque quando se tem pensamentos demais armazenados no cérebro
uma hora ou outra você terá que passá-los para o papel.
A escrita é a forma mais bonita de transmitir o que sente, pois esta, fica gravada.
Por mais que se leia uma única vez, alguma parte ficará no subconsciente de alguém e até mesmo no seu.
Hoje somos iniciante, amanhã não seremos mais.
Hoje escrevo em alguns momentos de uma forma infantil, amanhã já serei madura o suficiente.
Mas para tudo na vida temos que ter um início.
E quem disse que desejo ser escritora?
Não anseio, quero apenas que todos possam conhecer de fato quem sou eu.
E tudo que se escreve tem verdade;
De tudo que se escreve tem a identidade de cada um de nós.
E eu tenho a minha.
Você, a sua.
Beijos aos meus colegas escritores ou não, mas certamente, todos cheio de sonhos.
Liz Di Bernardi
Momentos Insanos
Em alguns momentos você vai achar que já não ama mais,
Em alguns momentos você vai achar que tudo foi em vão;
Em alguns momentos você pensar que foi só perda de tempo;
Em alguns momentos você vai se magoar e chorar por se ofender ou ser ofendido;
Em alguns momentos você vai decidir de cabeça quente que já não vale mais a pena ficarem juntos;
E depois desses momentos, quando a cabeça já estiver fria e os batimentos desacelerados,
Quando a voz dela lhe fizer falta mesmo que seja numa discussão,
Depois que você repensar e ver que nada foi em vão,
Depois que desejares incessantemente um abraço e o calor do corpo ao invés de desejares a distância...
Então, enfim, perceberás que nada foi em vão e que o amor é mesmo assim...
Continuar juntos mesmo quando se deseja por um breve momento ir embora,
Dizer que ama mesmo quando a vontade é de bater a porta na cara...
Amar, amadurecer e perdoar até os erros que se dizem imperdoáveis;
Porque quando estiverem longe, desejarão infinitamente estarem perto...
Porque quando é verdadeiro não existe "ex-amor"...
Por um breve período e sangue fervendo, ele adormece, mas não
deixa de existir...
Ah, e o amor tem mesmo dessas coisas....
Liz Di Bernardi
Em alguns momentos você vai achar que tudo foi em vão;
Em alguns momentos você pensar que foi só perda de tempo;
Em alguns momentos você vai se magoar e chorar por se ofender ou ser ofendido;
Em alguns momentos você vai decidir de cabeça quente que já não vale mais a pena ficarem juntos;
E depois desses momentos, quando a cabeça já estiver fria e os batimentos desacelerados,
Quando a voz dela lhe fizer falta mesmo que seja numa discussão,
Depois que você repensar e ver que nada foi em vão,
Depois que desejares incessantemente um abraço e o calor do corpo ao invés de desejares a distância...
Então, enfim, perceberás que nada foi em vão e que o amor é mesmo assim...
Continuar juntos mesmo quando se deseja por um breve momento ir embora,
Dizer que ama mesmo quando a vontade é de bater a porta na cara...
Amar, amadurecer e perdoar até os erros que se dizem imperdoáveis;
Porque quando estiverem longe, desejarão infinitamente estarem perto...
Porque quando é verdadeiro não existe "ex-amor"...
Por um breve período e sangue fervendo, ele adormece, mas não
deixa de existir...
Ah, e o amor tem mesmo dessas coisas....
Liz Di Bernardi
O Amor de infância
Tenho medo
da dor
do calor
do fervor
Que ele pode me fazer sentir
Tenho medo
do beijo
do abraço
do conforto
Que ele pode me dar e sem
mais nem menos me tirar
Tenho medo
do carinho
da saudade
da felicidade
Que ele pode me encher
e de um dia para o outro
esquecer-se que preciso
dele para viver
Óh meu querido amor,
Dizem que tu és
o mais bonito dos sentimentos
existente entre as pessoas
Se és,
Porque nos causas tantos medos?
Porque nos acolhes e sem que esperemos
nos deixas só?
Óh meu querido Amor,
Abriria as portas do meu coração pra ti
Se me prometesses não me causar dor,
raiva ou rancor.
Se me prometesses ser apenas
o mais bonito dos sentimentos...
Óh, meu querido Amor!
Liz Di Bernardi
da dor
do calor
do fervor
Que ele pode me fazer sentir
Tenho medo
do beijo
do abraço
do conforto
Que ele pode me dar e sem
mais nem menos me tirar
Tenho medo
do carinho
da saudade
da felicidade
Que ele pode me encher
e de um dia para o outro
esquecer-se que preciso
dele para viver
Óh meu querido amor,
Dizem que tu és
o mais bonito dos sentimentos
existente entre as pessoas
Se és,
Porque nos causas tantos medos?
Porque nos acolhes e sem que esperemos
nos deixas só?
Óh meu querido Amor,
Abriria as portas do meu coração pra ti
Se me prometesses não me causar dor,
raiva ou rancor.
Se me prometesses ser apenas
o mais bonito dos sentimentos...
Óh, meu querido Amor!
Liz Di Bernardi
sexta-feira, 14 de junho de 2013
Lembranças
Ainda lembro do rancho cinzento...
Do rancho velho, das panelas
Por cima do fogão.
Ainda lembro da mãe gritando
Chamando as crianças para entrar
E na mesa sentar .
Ainda ouço o barulho
Que as crianças faziam
Ao correr na palha seca.
Ainda vejo o homem com
Relho na mão aos berros
Dizendo que na
palha não podia brincar.
Ainda ouço o mensageiro do vento
Balançando rápido, rápido.
Pra avisar que o vento tinha mudado
E que a chuva forte havia chegado.
Sinto o cheiro do mato seco
Da grama verde,
Da infância hoje perdida.
Sinto agora uma lágrima quente
Rolando meu rosto
Me fazendo sentir saudade
Do tempo de felicidade.
O rancho era simples
Não tinha cor,
Mas tinha amor.
O passado ficou por lá
Mas a lembrança ainda vive aqui
Agarrada no meu peito.
Não sinto tristeza
Mas tenho saudade
Saudade do tempo que as crianças
Corriam soltas pelo mato
E dos banhos no rio.
Saudade do respeito
Do amor, das rosas roubadas
No vizinho para levar pra mãe
Enquanto ela lavava roupa
E cozinhava no fogão velho
Com suas panelas de barro.
Saudade do rancho velho
Cinzento por fora
Colorido por dentro
Com o recheio mais saboroso
Da vida...
O amor!
Liz Di Bernardi
Quando o coração precisa de amor
Era tarde de
sexta-feira, junho de 2008. Cansada de um dia cheio de trabalho, carregava as
compras do mercado, aquelas alças da sacola de plástico quase se rompendo e
marcando fortemente minhas mãos. Adentro
a casa e vejo toda aquela imensidão, ela estava grande demais e vazia. Eu me sentia triste, quase nem existia de
tanta solidão. Eu que até então não sentira falta de nada, era autossuficiente,
naquele dia acordara deprimida, sentindo falta até do escandaloso caminhão que
recolhia o lixo todas as sextas-feiras. Nem ele naquele dia havia passado. Sentia
uma falta enorme dos amigos, da mãe que já não falava alguns meses. Saí de casa
brigada com ela. Meus cachorros que deixei pra trás, ainda lembro-me dos
olhinhos tristes e caídos. Quanta saudade me invadiu o peito naquele dia. Por
onde estão meus amigos agora? Eles nunca me deixaram sozinha. Na cozinha nem
meu companheiro fogão quis me ajudar. As bocas não acediam, deviam estar
entupidas. No quarto as fotos dos amigos espalhadas pela cômoda. Vários
porta-retratos e mensagens deixadas por eles. Na gaveta os álbuns com as fotos
da família, mãe, irmãos, os bichos... Que tempo bom, mas que era melhor não
lembrar. Minha arrogância me consumia bem mais do que a tristeza. Vaguei pela
cidade naquele dia até o anoitecer. Eu não queria ficar em casa. Sentia falta de
alguma coisa, que nem mesmo eu sabia o que. Talvez soubesse, mas preferia não
dar importância. Existe uma fase na vida da gente que acreditamos piamente que não precisamos de mais ninguém
para viver. Sozinho se pode ir muito
mais longe. O fato é que um dia, naquele dia em que ninguém está por perto,
você acorda precisando de alguém. Até a árvore parece lhe sorrir. Mas é só
imaginação. Sua solidão é tamanha que se duvidar você até conversa com a
árvore. Comecei a reparar nas pessoas que caminhavam pelas ruas. Casais de mãos
dadas olhando as vitrines, afinal se aproximava o dia dos namorados. Famílias
caminhando, outras sentadas nos bancos da praça, amigos jogando conversa fora
na beira do rio... E eu ali, sozinha. A espera de alguém para conversar. O que
eu mais queria naquele momento é que alguém se aproximasse para trocar nem que fossem três míseras
palavras. Depois de tantos desencontros e decepções amorosas, tinha me
fechado para relações devastadoras. Mas neste dia era o que fazia falta. Alguém
a quem pudesse confiar e me divertir...
Depois de tanto vagar,
quase 22 horas volto para casa, tomo meu banho e me enfio debaixo das cobertas,
estava frio, o telefone tocava e eu não queria atendê-lo, era minha amiga dando
sinal de vida. Mas àquela altura preferia ficar com as minhas cobertas e o
filme Marley e EU que eu já havia visto pelo menos trinta vezes.
Insistentemente e compulsivamente ela me ligava. Até que resolvo atender. Era
para um encontro informal entre amigos, bater papo, jogar conversa fora. Tudo
que eu queria até algumas horas atrás, pois neste momento a raiva me consumia
pelo abandono de 12 horas que ela me fizera sofrer. Enfim, rendo-me e ofereço
minha ilustre presença. Afinal, mesmo
consumida pela tristeza a minha arrogância ainda sobrevivera dentro de mim.
Lá pelas tantas da
madrugada, decidimos ir embora, ela me deixaria em casa. Tivera sido assim se
não tivesse atropelado um rapaz que passava pela calçada. Conhecido do dono da
casa é arrastado para dentro, todos muito preocupados querendo saber se estava
machucado, se estava tudo bem. Eu? Não estava nem aí, já tinha visto que ele
estava bem, devia ser mais um desocupado da vida, meu subconsciente já fazia o
julgamento sem nem mesmo ter visto direito a cara dele. Aquela ladainha estendeu-se por quase uma
hora. Estava frio na rua, sem saída devo adentrar a casa novamente. Eis que
avisto a imagem mais linda, aquele rapaz que acabara de ter sido levemente
atropelado pela Clau, sentado na cozinha. Naquele momento eu apaguei, é como se
eu visse tudo de cima, mas eu ainda estava com os pés no chão. Aqueles olhos,
aquele rosto... Eu já não via mais nada além dele. Flutuei. Era um príncipe.
Com a pata manca e sem o cavalo branco, mas ainda era um príncipe. Então sentei para poder observá-lo melhor. A
musica em baixo som voltou a tocar. Mas todos voavam a minha volta. Como
borboletas. Faziam barulhos, sons estranhos. Não via nem ouvia mais ninguém
alem daquele rapaz. Estaria eu vivendo no País das Maravilhas, quem sabe virei
Alice? Pudera, mas não. Era o amor tomando conta de mim e expulsando aquela
tristeza e mau humor que habitara meu coração por mais de dois ou três anos.
Não trocamos nenhuma palavra, sequer um oi! Por algumas vezes nossos olhos se
cruzaram. Depois com mais frequência e mais, até que nos olhamos por mais de um
minuto. Volto pra casa sem ouvir a voz dele, sem nem mesmo conversar e saber
mais sobre ele, mas aquela imagem ainda permanece a minha frente. Os dias se
passam e não nos encontramos mais. Em lugar algum. Mas ele não me sai do
pensamento. Vire e mexe seu rosto vem à tona. Começo a procurá-la entre os amigos, e nada.
Ninguém sabe dele, ninguém nem o vira mais.
Seria ele um fantasma? Será que eu sonhei
todos estes dias com alguém que não existe?
Como pode alguém desaparecer do nada? Onde fora parar aquele rapaz que
tivera quebrado a pedra que eu havia me tornado? Pra onde ele foi? Quase um ano
se passou. E eu não tinha mais noticias do meu príncipe. Nem mesmo o numero de
telefone que meus amigos tinham, tocava. Vivia na caixa postal. O amor havia
enfim acontecido pra mim, mas não poderia vivê-lo. Sem seu paradeiro, como
seria possível lhe contar todo o meu carinho?
Eis que saindo do
supermercado, avisto alguém muito parecido com ele. Aqueles cabelos e olhos
negros brilhantes... Estava sentado em
frente à rodoviária. Fui me aproximando, coração desesperado a cada
passo de aproximação. Quando chego bem
perto, tenho a certeza, era ele. Tive
medo de me aproximar e ele nem se lembrar de mim. Mas eu já não podia mais
viver sem notícia. Sem saber como estava. Precisava acabar com aquela agonia.
Não era possível um amor platônico a esta altura da vida.
Crio coragem e então me
aproximo: - Oi, tudo bem? Lembra-se de mim?
- Sim, como poderia
esquecer-te, moras no meu pensamento desde aquela noite.
- Surpresa e confusa
desconverso: O que fazes aqui? O que tem feito que nunca mais o vi? Nunca mais tive notícias suas (...).
- Porque, me
procuraste?
- Sim, por toda parte.
- Por quê?
- Porque naquela noite
em que te conheci, levaste contigo uma parte de mim...
- Eu sei uma parte
minha também ficou contigo...
Abraçamos-nos
enfim, como esperei por este abraço, pelo calor dos braços. Eu sentia o coração
dele batendo no meu. Aquelas borboletas que faziam um barulho estranho,
sobrevoaram novamente, desta vez, sobre nós. Eu flutuava, mas ainda sentia os
pés no chão. Minha cabeça girava e eu podia ouvir a canção do amor, sinos,
varinhas de condão e balangandãs. Enfim reencontrara meu príncipe, aquele que
com uma única aparição transformou meus dias em uma busca constante pelo seu
paradeiro até finalmente nos reencontrarmos.
Eu sabia que ele existia. Só não sabia que ele também esperava por mim.
Cinco anos se passaram e não mais nos deixamos, sequer um segundo com medo de
nos perdermos de vista na primeira dobrada de esquina.
Liz Di Bernardi
Liz Di Bernardi
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