Ainda lembro do rancho cinzento...
Do rancho velho, das panelas
Por cima do fogão.
Ainda lembro da mãe gritando
Chamando as crianças para entrar
E na mesa sentar .
Ainda ouço o barulho
Que as crianças faziam
Ao correr na palha seca.
Ainda vejo o homem com
Relho na mão aos berros
Dizendo que na
palha não podia brincar.
Ainda ouço o mensageiro do vento
Balançando rápido, rápido.
Pra avisar que o vento tinha mudado
E que a chuva forte havia chegado.
Sinto o cheiro do mato seco
Da grama verde,
Da infância hoje perdida.
Sinto agora uma lágrima quente
Rolando meu rosto
Me fazendo sentir saudade
Do tempo de felicidade.
O rancho era simples
Não tinha cor,
Mas tinha amor.
O passado ficou por lá
Mas a lembrança ainda vive aqui
Agarrada no meu peito.
Não sinto tristeza
Mas tenho saudade
Saudade do tempo que as crianças
Corriam soltas pelo mato
E dos banhos no rio.
Saudade do respeito
Do amor, das rosas roubadas
No vizinho para levar pra mãe
Enquanto ela lavava roupa
E cozinhava no fogão velho
Com suas panelas de barro.
Saudade do rancho velho
Cinzento por fora
Colorido por dentro
Com o recheio mais saboroso
Da vida...
O amor!
Liz Di Bernardi
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